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Pessoas de 20 a 39 anos somam 43% dos casos ativos de Covid-19 em SC

Os dados foram obtidos com a Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina

Com a mudança de comportamento da população e o relaxamento da quarentena, o número de casos da Covid-19 voltou a crescer em Santa Catarina, assim como a demanda pelos serviços de saúde.

Mas o que chama a atenção é que as pessoas na faixa etária que vai dos 20 aos 39 anos representam 43% dos casos ativos da Covid-19 em Santa Catarina. Os dados foram obtidos com a Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina).

“O que eu tenho notado é que estão chegando pacientes mais jovens e na faixa dos 30, 40 anos. Hoje nós temos dois pacientes – um homem de 22 anos e uma mulher com 23 anos. A faixa etária mudou”, aponta a médica Paola David, diretora clínica do Hospital Regional de Biguaçu, na Grande Florianópolis.

Maioria dos casos ativos

A maioria dos casos ativos de Covid-19 no Estado está na faixa dos 30 aos 39 anos. São 7.285 casos ativos, o que representa 22,8% do total.

Em seguida, está o grupo que tem entre 20 e 29 anos, no qual há 6.382 casos ativos, ou seja, 20% do total. Até esta quinta-feira (25), Santa Catarina contava com 31.859 casos ativos da doença.

A mesma sequência também é observada quando se analisam os casos confirmados da doença desde o início da pandemia.

A faixa etária dos 30 aos 39 anos lidera o ranking com 161.400 pessoas infectadas. Na segunda posição, estão os que têm entre 20 e 29 anos, com 136.241 infectados.

Mudança de faixa etária

O médico Marcos Felipe, que trabalha na UTI de um hospital privado em Brusque, no Vale do Itajaí, diz que tem percebido um aumento no atendimento a pacientes mais jovens infectados por Covid-19.

Ele acredita que a alta temporada tem feito com que essa faixa etária deixe de lado os protocolos sanitários.

Desde o final do ano passado, aglomerações têm sido registradas em todo o Estado. No período de Carnaval, não foi diferente. O feriadão foi marcado por praias e ruas lotadas de pessoas e aglomerações em festas.

O médico que trabalha na linha de frente do combate à pandemia também analisa que, diferente de outros períodos de pico, os jovens estão sendo hospitalizados com sintomas mais graves, principalmente, aqueles que já possuem alguma comorbidade.

Jefferson Traebert, epidemiologista e professor da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) endossa o coro de que existe uma diminuição da faixa etária das pessoas diagnosticadas com Covid-19.

Segundo ele, mais jovens estão contraindo a doença se comparado com os primeiros meses da pandemia. O motivo é que eles têm circulado mais e, consequentemente, se exposto mais ao vírus.

O acadêmico acredita que os jovens estejam se expondo mais em praias, bares e festas clandestinas.

Saúde reconhece mudança no perfil

O secretário adjunto de Estado da Saúde, Alexandre Fagundes, em vídeo divulgado pela pasta nesta quinta-feira, afirmou que técnicos e profissionais de saúde têm notado a mudança no perfil dos infectados.

“Pessoas mais jovens e também as que estão entre os 40, 50 anos estão apresentando um quadro bastante grave da doença. Isso nos preocupa. É um cenário totalmente diferente do anterior”, disse.

O superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Eduardo Macário, reforça que, em termos de perfil epidemiológico, os jovens ampliaram sua participação entre os casos ativos, inclusive, aqueles que necessitam de hospitalização.

Contudo, para o superintendente, os dados ainda indicam que, entre os casos mais graves e que evoluem a óbito, estão os de idosos e portadores de doenças crônicas.

Variantes do vírus

O professor Jefferson Traebert aponta a relação do aumento no número de casos com novas variantes encontradas no Estado. Até o momento, já foram confirmados em Santa Catarina cinco casos da variante de Manaus (AM) e há casos suspeitos da variante britânica em análise.

Estudos apontam que as novas variantes têm maior potencial de transmissão. Com isso, maior é a probabilidade de surgirem casos graves entre os infectados e maior é a demanda pelos serviços de saúde.

Ele não descarta ainda que o advento da vacina possa ter contribuído para o descumprimento de normas sanitárias. No entanto, o acadêmico relembra que por mais que o imunizante contra a Covid-19 já seja uma realidade, a cobertura vacinal ainda não é ampla.

O superintendente em Vigilância em Saúde diz que a ligação entre as novas variantes e o aumento de casos em Santa Catarina “é uma hipótese que tem sido estudada e não pode ser ignorada”.

“Na medida em que se tem um aumento no número de casos já está provada que as variantes ficam mais nas vias aéreas superiores. Quando a pessoa fala, espirra ou tosse essa carga viral elevada acaba se convertendo em maior transmissibilidade”, explica Macário.

Segundo ele, ainda que até momento somente casos importados tenham sido identificados no Estado, existem indícios da ocorrência de casos contraídos dentro da comunidade. “Não há provas laboratoriais, mas é uma hipótese que não descartamos”.

Ele diz que fenômeno semelhante foi observado na África do Sul, Reino Unido e no Estado do Amazonas e que as novas variantes podem estar relacionadas à quantidade de casos, mas “não necessariamente à gravidade, à reinfecção ou à resistência a vacinas”.

Novas medidas restritivas

O superintendente Eduardo Macário diz que há uma maior exposição de pessoas mais jovens, que acabam transmitindo e sustentando a doença na comunidade.

Ele ressalta que as novas medidas anunciadas pelo governo estadual visam, justamente, frear essa alta taxa de transmissão e reforçar a rede de assistência médica.

“O fato é que Santa Catarina tem boa legislação, boas normativas e portarias que regulam. Se fossem cumpridas ao pé da letra, talvez a gente não estivesse nessa situação”, disse Macário.
O professor Traebert também encara as novas medidas como necessárias e importantes, uma vez que o Estado se encontra em um cenário grave da pandemia.

“Se estamos vivendo o colapso da saúde, qualquer medida de restrição ajuda a aliviar o sistema e a alta demanda pelos serviços hospitalares de alta complexidade. Precisamos aguardar os resultados para podermos avaliar se foram efetivas”, diz Traebert.

“Isso não vai acontecer comigo”

A psicóloga Vanessa Cardoso elencou quatro pontos que ajudam a explicar o que pode estar ocasionando o elevado número de casos ativos da Covid-19 na faixa dos 20 aos 39 anos.

De acordo com ela, o grupo de pessoas que pertence a essa faixa etária é extremamente produtivo e ativo no mercado de trabalho. Além disso, não são todos que têm a possibilidade de trabalhar de forma remota.

Pesquisas ligadas à saúde e ao comportamento sugerem ainda que os jovens tendem a seguir a máxima “isso não vai acontecer comigo”.

Com esse pensamento, acabam desrespeitando normas sanitárias como o uso da máscara, do álcool em gel e se sujeitando às aglomerações. Comportamento semelhante é visto em estudos relacionados ao HIV.

“Os jovens acham que não vai acontecer com eles, por isso, deixam de lado o uso da camisinha”.

A psicóloga cita também a sensação de desafiar o perigo, negar a existência de um cenário grave e ainda flertar com a morte. “É como uma criança que brinca com fogo até se queimar”.

Outro ponto que, conforme Cardoso, é típico de adolescentes, mas acaba se estendendo para outras faixas etárias é a necessidade de socialização.

“A socialização é importante, mas pode ser adaptada em função da pandemia. Muitas pessoas têm dificuldade em ficar sozinhas, lidar com as relações de forma diferente. Elas sentem que se for para a rua, para a aglomeração vão parar de se sentir assim”, explica a psicóloga.

Fonte: ND+
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